Domingo, 11 de Março de 2012

O caminho marítimo para a Índia


D. João II, depois de subir ao trono, manda construir a fortaleza da Mina, encarregando Diogo de Azambuja de tal projecto. Uma armada de 10 caravelas parte em 1481 de Lisboa com 600 homens para tal tarefa.
Em 1482 Diogo Cão descobre a foz do Zaire, deixando ai um padrão.
U ano mais tarde chega ao Congo.
Em 1486 João Afonso de Aveiro chega ao reino de Benim.

Em Agosto de 1497 é iniciada a viagem de Bartolomeu Dias, que inicia a descoberta para o caminho marítimo para a Índia, pois foi a primeira feita com esse objectivo específico. Pêro de Alenquer era o piloto. Passaram o Cabo do Bojador e do das Tormentas (D. João II havia de o chamar da Boa Esperança).
Quando D. João II morreu já estavam a ser preparadas as quatro naus que levariam Vasco da Gama e os seus homens á Índia. Eram a São Gabriel comandada pelo próprio Vasco da Gama e pilotada por Pêro de Alenquer. São Rafael, comandada por Paulo da Gama (irmão de Vasco da Gama) e pilotada por João de Coimbra. Bérnio comandada por Nicolau Coelho e pilotada por Pêro Escobar, e uma barca de mantimentos chefiada por Gonçalo Nunes.
Quatro meses depois estavam no Cabo da Boa Esperança. A 25 de Novembro chegaram á baia de São Brás em Moçambique vencendo as correntes. Chegaram a Quelimane a 22 de Janeiro de 1498 para debelar a praga de escorbuto que atacava a tripulação. A 7 de Fevereiro aportaram em Moçamba, e a 13 em Melinde onde foram bem acolhidos pelo “sultão” e lhes foi providenciado 2 pilotos para os levar a Calicute.
Partiram a 24 de Abril, e em 19 de Maio de 1498, chegaram enfim ao destino sonhado desde á um século pelos portugueses.
No entanto o soberano não os acolheu e até os perseguiu, pois tinha sido “envenenado” pelos comerciantes árabes e asiáticos, com receio da perda da sua influência comercial.
A 10 de Julho de 1498, Vasco da Gama decide regressar a Portugal.

A travessia do Indico foi fatal para muitos, e perde-se a nau São Rafael.
Um temporal em Cabo Verde separa a nau Bérnio que chega a Lisboa em 10 de Julho de 1499, e arremessa a São Gabriel á ilha de Santiago. Ele entrega-a a João de Sá para que seguisse viagem até Lisboa, e fica a auxiliar seu irmão Paulo da Gama que se encontra doente com gravidade. Freta uma caravela que o leva até Angra do Heroísmo, onde Paulo da Gama falece.
Vasco da Gama parte a 19 de Agosto, e a 9 de Setembro é recebido em Lisboa triunfalmente.

Domingo, 4 de Março de 2012

A colonização das ilhas atlânticas


A primeira ilha a ser descoberta foi a de Porto Santo em 1418. Os Açores entre 1427 e 1432, Cabo Verde em 1460 e as do Equador em 1486.

Eram todas desabitadas e foram todas povoadas pelos descobridores. Devido ao clima a fixação foi melhor para o arquipélago da Madeira e dos Açores, onde o povoamento foi mais célere.
Na Madeira foi introduzida a plantação da cana-de-açúcar, vinda da Sicília.
Mais tarde veio o vinho, quando a cultura do açúcar passa para o Brasil.
Nos Açores, rapidamente povoados, o trigo, o vinho, o açúcar e o gado eram os principais produtos de exportação.
As ilhas de Cabo Verde são colonizadas com escravos trazidos da Guiné, ai era produzido o algodão.
Nas do Equador, o problema foi a fixação de gente, em São Tomé e Príncipe era produzido açúcar.

As receitas dos produtos vindos destes locais fortalecem os reis e o seu poder, na luta contra a fidalguia. D. Duarte, em 1434, reúne as cortes em Évora e institui a “lei mental”, que obriga á transmissão das doações, apenas por via masculina.
D. Duarte foi um bom rei, mas infeliz, por causa da sua doença, e do episódio da tragédia de Ceuta, onde ficou cativo (acabando por morrer em 1443), D. Fernando. D. Duarte morre em 1438 devido ao desgosto, motivado pela teimosia de D. Henrique.
D. Duarte teve 2 filhos e 3 filhas, o mais velho, seu sucessor, subiu ao trono aos 6 anos, D. Afonso V. O outro foi D. Fernando, 1º Duque de Viseu. D. Afonso V teve como filho e sucessor D. João II (para muitos o maior rei de Portugal), D. Fernando teve como filho e sucessor, o 3º Duque de Viseu, D. Diogo, que veio a ser assassinado por seu primo e cunhado, o próprio rei D. João II, e de D. Manuel I, que veio a ser rei de Portugal.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Traz outro amigo também - José Afonso

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO) nasce em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, filho dum magistrado e duma professora primária. A infância reparte-se entre Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra, devido às sucessivas deslocações profissionais do pai.

Em Coimbra, estudante do Liceu D. João III, conhece o guitarrista António Portugal e começa a interessar-se pela música. Em fins da década de 40, já aluno de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra, destaca-se, à semelhança do irmão, como cantor de fados. Conhece o mestre guitarrista Flávio Rodrigues e a cantadeira popular Cristina Matos.

Casa pela primeira vez em 1950, com Maria Amália, de quem tem dois filhos, José Manuel e Helena. As dificuldades económicas levam-no a trabalhar como revisor no «Diário de Coimbra». Em 1953 grava os primeiros discos, o que voltou a acontecer em 1956 (já em discos de 45 rpm). Em 1960 grava a «Balada de Outono» e, depois, de modo irregular vai gravando alguns discos de pequeno formato (EP), até 1964, ano em que, já casado com Zélia, parte para Moçambique. Os filhos de ambos, Joana e Pedro, nascerão nos anos seguintes.

Pelo caminho deixa o serviço militar cumprido em Mafra (entre 1953 e 1955), onde se distinguiu pela sua permanente distração e incapacidade para dar ordens e uma experiência de professor do ensino secundário iniciada em 1956 e que o levou a diversos liceus e colégios de Mangualde, Aljustrel, Lagos, Faro e Alcobaça.

É ainda como mestre-escola que regressa a África em 1964, experiência que se revelará fundamental na sua formação política. Na Beira, colabora com o Teatro Experimental e escreve a música para a peça «E Excepção e a Regra», de Brecht. Volta a Portugal em 1967, ano em que é pela primeira vez editado em «long playing» (33 rpm) com «Baladas e Canções», historicamente o seu primeiro álbum, que recolhe gravações anteriores à sua partida para Moçambique e editadas em vários EPs.

Expulso do ensino por razões políticas, dedica-se mais assiduamente à música e inicia um período de gravações regulares com «Cantares do Andarilho» (1968). No ano seguinte grava «Contos Velhos Rumos Novos» e, em 1970, publica «Traz outro Amigo Também» e visita Cuba. No ano seguinte edita «Cantigas do Maio», e tudo passa a ser como era na música portuguesa. Em 1971 recebe o terceiro prémio consecutivo da Casa da Imprensa pelo melhor disco.

Em 1972 canta pela primeira vez na Galiza e participa no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro, onde apresenta o tema «A Morte Saiu à Rua», dedicado ao pintor José Dias Coelho, assassinado pela Pide. Edita «Eu Vou Ser Como a Toupeira».

Participa activamente no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, em Março de 1973 (onde estreia em público «O Que Faz Falta») e envolve-se na acção politica com grupos de vários sectores da Esquerda, desde o PCP à LUAR. Publica «Venham mais Cinco» (73).

Em 29 de Março de 1974 participa no Encontro da Canção, no Coliseu dos Recreios, onde a censura não lhe permite cantar mais do que duas canções: «Milho Verde» e «Grândola Vila Morena». Menos de um mês depois, a 25 de Abril, esta era a senha do Movimento das Forças Armadas para o início da que ficaria para a história com o nome único de Revolução dos Cravos.

Ainda em 1974 faz sair «Coro dos Tribunais», mas só voltará a publicar em 1976 ( «Com As Minhas Tamanquinhas»). Nesses meses («essa coisa magnifica que foi o PREC»), percorre o país de ponta a ponta, num sem fim de «sessões», «acções de dinamização», «campanhas de alfabetização». Grava um disco em Itália de apoio à luta do jornal «República» e outro para a LUAR («Viva o Poder Popular» / «Foi Na Cidade do Sado»), ganha o Prémio Internacional de Folklore da Academia Fonográfica alemã (1976). Apoia as candidaturas à Presidência da República de Otelo Saraiva de Carvalho (1976 e 1980) e Maria de Lurdes Pintasilgo (1985). Grava «Enquanto Há Força» (77), «Fura Fura» (79), «Baladas de Coimbra e Outras Canções» (81).

Em 1982 visita Moçambique e é recebido pelo Presidente Samora Machel com honras semelhantes às de um chefe de Estado. É-lhe diagnosticada uma doença incurável (esclerose lateral amiotrópica) que se caracteriza pela destruição lenta e progressiva do tecido muscular. Viaja pela Roménia, Inglaterra e Estados Unidos, em busca de uma solução.

Em 1983 realiza os últimos espectáculos, nos coliseus de Lisboa e Porto. Publica o disco «Ao Vivo no Coliseu» e um belíssimo LP de originais, «Como Se Fora Seu Filho». Um ano depois, recebe dos doze participantes no Concerto pela Paz e Não Intervenção na América Central, realizado em Manágua, uma das mais significativas homenagens: uma mensagem assinada, entre outros, por Pete Seeger, Chico Buarque, Carlos Mejía Godoy, Sílvio Rodriguez, Daniel Viglietti, Isabel Parra e Amparo Ochoa. Nesse mesmo ano foi editado o livro "As Voltas de um Andarilho", de Viriato Teles, uma extensa reportagem sobre a vida e a obra de Zeca. Em 1984, José António Salvador publica "Livra-te do Medo", um outro trabalho biográfico sobre o poeta-cantor - reeditado em 1994 em nova versão, mais ilustrada, com o título "José Afonso - O Rosto da Utopia".
Em 1985 publica o derradeiro disco, «Galinhas do Mato», onde já só dá voz a dois dos temas. Os restantes têm interpretações de Janita Salomé, Helena Vieira, Luís Represas, Né Ladeiras e José Mário Branco. Morre, no hospital de Setúbal, na madrugada de 23 de Fevereiro de 1987.